sexta-feira, 15 de março de 2013




A Lavadeira


A lavanderia do meu prédio me prendeu por 4 horas
Pra lavar e secar minhas roupas.
Conversava com Drummond
Enquanto ela virava e revirava
Minhas meias, cuecas, calças e camisas
Com a intimidade que antes só a mim pertencia.
Entre uma poesia e outra,
Eu parava a fitar o rodopio
Da máquina que centrifugava com tanta força
Me fazendo viajar no tempo
E chegar no tempo de eu família
Vendo minha mãe contar as roupas
Pra entregar a D. Laudilina.
Era preciso anotar no papel cada peça
Que a trouxa é grande.
D. Laudilina, preta feia – linda
Ia pela rua com a trouxa grande na cabeça
E dias depois trazia de volta
As roupas passadas e engomadas
Com cheirinho de limpeza
Impregnada do cheiro da pobreza de seu casebre
Cheiro limpo de gordura...
Que sorte eu tive
Que quando a roupa atrasava
Era eu quem ia Lá em D. Laudilina
E ficava (como hoje) esperando
A máquina humana lavar, passar  nossas roupas
E isso era a poesia
Que naquela época eu ainda não entendia...

Sidney Lima (07/10/2012)


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