sábado, 28 de outubro de 2017

RESISTÊNCIA

O povo emerge da lama
Levanta da cama
Abafa o silêncio
E grita
E grita
E volta
revolta
Não quer mais esperar..
Se infiltra
Na podre lama
Do senado
Do congresso
Do Planalto
Não mais para levar cafezinho
Nem para limpar cocô de escrotos...
Nada entende,
Mas quer ver,
Quer ser,
Quer ter
A coragem
De dizer
NÃO!!!
BIANCA BRINCA

Adoro viajar
na fantasia de Bianca, 
onde tudo é festa e brilho.
Amo passar horas 
Na brincadeira de casinha e mercado...


Você ainda não entende
a seriedade das suas brincadeiras


O quanto me relaxo
Sendo o homem que vai ao mercado
Da prestimosa moça do caixa,
Ou deixar de ser seu avô
Para ser seu filhinho...
Filho de uma mãezinha de quatro anos
Que nem sabe direito
Que é filha , que é neta, que é
Vida.


Quando brinco com Bianca
É quando sou mais sério,
Já que a brincadeira é fantasia,
Mas a felicidade é verdadeira.
DEFESA POÉTICA (SIDNEY LIMA)

CONSTRUO COM TIJOLOS DE PALAVRAS
O CASEBRE QUE HABITO.
EDIFICO NAS IMAGENS METAFÓRICAS
O MURO QUE ME SEPARA
DO FRIO
DO FEIO
DO MEDO
DA MEDIOCRIDADE GÉLIDA
DO MUNDO

E ESTE POEMA PUBLICA-SE EM MIM
DESDE OU ANTES DO MEU NASCER.
A POESIA QUE NELENPRESENCIFICA
É PREEXISTENTE E PERSISTENTE
OPÕE-SE A TUDO QUE É NÃO-POESIA
A TUDO QUE NOS DESUMANIZA
OPÕE-SE A TUDO 
QUE A CRUELDADE CAPITALISTA IMPÕE

ESCONDO-ME DA AGÊNCIA PODEROSA
QUE NOS OPRIME
ATRAVÉS DA POESIA
QUE MORA EM MIM. 

                                                                                           (27/10/2017)